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templo antigo



Histório Igreja Presbiteriana de Campinas

Rev. Odayr Olivetti

(Publicado na Revista comemorativa dos 90 anos de reorganização)

 


 

COMEÇO E RECOMEÇO

Nem todos os seres vivos têm continuidade ininterrupta. A Primavera é a ocasião própria para ressurgimento extraordinário, entre as plantas e as flores,e mesmo os animais, principalmente os que têm longo período de hibernação. A própria humanidade teve um novo princípio após o Dilúvio. 
Há instituições que também morrem, ou parecem morrer, e de repente ressurgem vigorosas. 
A Igreja Presbiteriana de Campinas está dentro desses casos de um novo começo. O primeiro período da sua existência oficialmente reconhecida é o de julho de 1870 a julho de 1903. O segundo período é o que abrange o novo começo, em 9 de agosto de 1903, vem até à presente data e , com a bênção de Deus, prossegue até o glorioso regresso do Senhor da Igreja para implantação de novos céus e nova terra. Desta breve palavra introdutória, passemos ao registro de alguns antecedentes.

PRIMEIROS SEMEADORES

Não há informações detalhadas sobre os primeiros trabalhos evangélicos em Campinas. Os primeiros nomes de que se tem registro são os do Rev. Kidder (em 1839) e do Rev. Fletcher (em 1855). Kidder era agente da Sociedade Bíblica Americana. De 1860 a 1870 estiveram em Campinas e realizaram algum trabalho evangélico na cidade e região os seguintes servos de Deus: Ashbel Green Simonton (1860), F.J.C. Schneider (1862), Emanuel N. Pires (1866-1867), Thomas C. Carter (1867; morreu de tísica no mesmo ano), George Nash Morton (1868-1892) e Eduardo Lane (1869-1892). A Morton se deve o estabelecimento em Campinas da sede da Missão do Sul do Brasil. E Morton e Lane fundaram o Colégio Internacional, em 1869. Morton e Lane têm os seus nomes em ruas da cidade de Campinas. 
Nesse período houve a Guerra de Secessão, nos Estados Unidos, com a derrota dos Confederados (do sul). Muitos sulistas emigraram para o Brasil e numerosas famílias se instalaram na região de Campinas (Americana e Santa Bárbara d'Oeste). Vieram alguns ministros para atendê-los pastoralmente. É inegável a importância da presença deles para o desenvolvimento da obra evangélica na região de Campinas.

1870 a 1903

A julgar por um relatório do Rev. Chamberlain, em outubro de 1870 a Igreja Presbiteriana de Campinas já estava organizada, e o Rev.George Nash Morton era o seu pastor. Na verdade, Morton cuidava mais do Colégio Internacional, e o maior atendimento pastoral era dado pelo Rev. Eduardo Lane. Este foi também quem possibilitou a construção do edifício do Colégio Internacional (em 1874, à Rua Dr. Quirino) e do primeiro templo presbiteriano da cidade ( em 1878, à Rua Luzitana). Ambos os edifícios são hoje inexistentes. Após a morte do Rev. Eduardo Lane, vitimado pela febre amarela, o Colégio Internacional foi transferido para Lavras, MG. 
Logo teve início uma fase muito difícil, em que a epidemia de febre amarela grassava e fazia as suas vítimas, ceifando inclusive a preciosa vida do Rev. Eduardo Lane. Para a causa do Evangelho surgiram outras dificuldades que afetaram as relações entre os missionários e alguns líderes brasileiros. Nesse período extraordinariamente difícil exerceu o pastorado da Igreja Presbiteriana de Campinas o Rev. Flamínio Rodrigues. Este ministro continuou pastoreando o pequenino rebanho que permaneceu depois da cisão que deu origem à Igreja Presbiteriana Independente.

1903 a 1993

Os remanescentes do presbiterianinismo oriundo da obra estabelecida em 1870 e ligada ao movimento iniciado com a vinda de Simonton em 1859, foram desalojados do seu templo e passaram a reunir-se no Colégio Internacional, sob o pastorado do Rev. Flamínio Rodrigues. 
No pastorado do Rev. Zacarias de Miranda (1909-1912), foi adquirido o terreno da Rua Bernardino de Campos,792, e foi construído um salão de cultos, utilizado pela Igreja até o ano de 1925. O templo da Rua Bernardino de Campos, 792, foi construído durante o pastorado do Rev. Miguel Rizzo Jr. e começou a ser usado pela Igreja em 1925. 
Do longo pastorado do Rev. José Borges dos Santos Jr.(1926 - 1941), anotamos aqui estes fatos: l. Realizaram-se campanhas evangelísticas com pregadores como o ex-padre Gióia Martins e os reverendos George Ridout, Motta Sobrinho e Valério Silva. 2. Houve expansão da obra com pontos de pregação ou trabalhos filiais em Jacuba, Bonfim, Asilo, Areião, Vila Almeida e a Colônia de Hansenianos de Pirapitingüi-Ponte Preta. 3. Foi feita a aquisição do terreno em que está o Edifício de Educação Religiosa, e foi construída a primeira etapa, a parte térrea, o que exigiu grande esforço de todos. 4.Registram-se desse período nomes de"leigos"muito consagrados, como os do casal Cesira e Joaquim Aymoré Marques na Vila Marieta; os das irmãs Cesira Marques, Ana Luíza F. Borges, Amélia Kerr Nogueira, Maria Eulália Ferraz, Licínia Nogueira de Souza, Lucy Kohn, Aurora Kerr, entre outras, da Sociedade Auxiliadora Feminina; o da irmã Maria Eulália Ferraz, com sua extraordinária participação numa campanha evangelística, quando ela fez, pessoal e individualmente, nove mil convites; e o nome de Tiago Florêncio do Carmo, que, entendido em construção, prestou grande ajuda à obra de construção do Edifício de Educação Religiosa. 
No também longo pastorado do Rev. Américo (1944 - 1958), teve início a publicação do Boletim Domincal; concluiu-se a construção do Edifício de Educação Religiosa (1948); desenvolveram-se os trabalhos dos homens e dos jovens, além da SAF, mais antiga; houve grande ênfase à evangelização, ressaltando-se os trabalhos da "Sociedade de Evangelização"e da "Banda Evangelizadora"criada por David Battaglin, e numerosas conferências. A lista de conferencistas daquele período é longa, de pregadores nacionais e estrangeiros, dos quais registramos aqui os seguintes: Stanley Jones, T. Z. Koo, John A. Mackay, Edwin Orr (avivalista da ênfase à "plena submissão"ao Senhor), Toyohiko Kogowa; pastores brasileiros; e "leigos", dentre os quais Flamínio Fávero, Camilo Ashcar e Osny Silveira. À lista de pontos de pregação ou trabalhos filiais dada acima, acrescentam-se Pau d' Alho(fazenda), Bosque, Seminário, Joaquim Egídio, Novo Campos Elísios, Vila Prost de Souza e Itatiba. Em 1955 foi adquirido o terreno anexo ao Edifício de Educação Religiosa - uma área de 1534 m2. Nesse período fundou-se a Escola Erasmo Braga. 
No pastorado do Rev. Marcelino Pires Carvalho (1858 e1959), o ponto marcante foi a organização da Igreja Presbiteriana de Jardim Guanabara. No pastorado do Rev.Nathanael de Almeida Leitão foi construída a casa pastoral (Av. Andrade Neves, 1717). Durante o pastorado do Rev. Odayr Olivetti (1966 e 1967) foi reaberto o Ponto de Pregação de Jardim Proença (1966) e foi iniciada a construção da primeira etapa do templo naquele bairro; foram feitas as primeiras incursões evangelísticas em Jardim Eulina e Jardim Nova Europa; foi adquirido terreno em Santa Bárbara d' Oeste (parte da gleba em que se instalou e funciona o Acampamento Presbiteriano); foi dada bolsa de estudos para ajudar um jovem que estudava no Instituto Palavra da Vida. Aquele jovem veio a ser o Rev. Oduvaldo M. Pereira, ministro presbiteriano, com especialização no exterior para o trabalho cristão com crianças. Do longo e profícuo pastorado dos reverendos Júlio Andrade Ferreira e Carlos Aranha Neto (ambos, de 1968 a 1974; o Rev. Carlos, até 1990), registramos o seguinte apanhado: Foi feita revisão do rol; com o desenvolvimento da cidade, desenvolveu-se também a Obra dos bairros, e foram organizadas as igrejas Ebenezer (na Vila Industrial), em 1964, Hortolândia e São Bernardo (Bethel), ambas em 1965. Em 1970 foram adquiridos terrenos em Sousas e em Jardim Paranapanema, e neste foram construídas salas para os cultos e para a Escola Dominical. Em 1971 foi concluído o templo de Jardim Proença. Em 1972, à lista de trabalhos nos bairros e distritos somam-se os de Sousas (fechando-se o de Joaquim Egídio) e Jardim Paranapanema (e mais um Ponto de Pregação mantido pela Congregação de Vila Marieta). 
Em 1972, constatada a necessidade de reforma total do templo da Bernardino de Campos com Ernesto Kulmann, o Conselho optou pela construção de um novo templo - o atual, à Rua General Osório, 619, no terreno que já pertencia à Igreja Presbiteriana de Campinas. O Edifício de Educação Religiosa passou a sediar todos os trabalhos da Igreja,os cultos inclusive, a partir de 12 de março de 1972. O templo atual foi consagrado ao Senhor em 09 de agosto de 1974. 

De 1975 em diante, a Obra continuou a desenvolver-se. Iniciaram-se os trabalhos na Vila Formosa, Jardim Garcia, Matão e Jardim Esmeraldina. Surgiram novas modalidades de trabalho, como os Grupos Familiares (de estudo bíblico e oração) e o Encontro de Casais - com grande contribuição positiva, mas dando lugar a algumas dificuldades que interromperam o ritmo de crescimento numérico da Igreja. No segundo pastorado do Rev. Odayr Olivetti, iniciado em janeiro de 1991, Deus concedeu à Igreja a bênção da pacificação geral e da retomada do crescimento espiritual, e mesmo numérico, em ritmo sóbrio, havendo-se realizado uma atualização não exaustiva mas realista do Rol de Comungantes. Em 1991 foi recebida de volta como Congregação a Igreja de Vila Marieta, dissolvida pelo Presbitério por falta de adequada sustentação; foi adquirido um terreno em Matão; foram iniciados trabalhos de Escola Dominical Pioneira e evangelização numa residência de família em Jardim Rosolém (fins de 1991); foi executada uma custosa e completa reforma da parte interna do Edifício de Educação Religiosa (do térreo ao 3º pavimento). Em 1992, foi iniciada a construção de templo e salas em Matão; foi novamente organizada a Igreja de Vila Marieta, que recobrou o impulso para o progresso, no Senhor; foi criada (na sede) uma Comissão de Recepção a visitantes que tem prestado valioso serviço cristão. Em 1993 (primeiro semestre): deu-se prosseguimento à construção em Matão, concluindo-se as partes essenciais; alugou-se excelente casa em Jardim Rosolém, para a realização dos trabalhos; iniciaram-se em Sousas dois trabalhos de atendimento a carentes : Um com meninas adolescentes (artesanato profissional; orientação moral e espiritual; merenda); outro, ao ar livre, com meninos adolescentes (evangelização, orientação moral e espiritual, merenda); foram organizadas as igrejas de Jardim Paranapanema (fevereiro) e de Jardim Garcia (junho).

novo templo


IGREJAS ORGANIZADAS PELA IGREJA PRESBITERIANA 
DE CAMPINAS E POR SUAS FILHAS

Jardim Guanabara (1959) - que organizou as igrejas de Jardim Licínia (1970), Barão Geraldo (1982), Paulínia, Parque Taquaral (1982), Jardim Conceição (1988), Jardim Santa Mônica, Valinhos (1983). 
Ebenezer (1964) 
Novo Campos Elísios (1964) 
São Bernardo (Bethel) (1965) 
Hortolândia (antiga Jacuba) (1965) 
Jardim Proença (1976) 
Jardim Nova Europa 
Jardim Flamboyant - ação conjunta da Igreja Presbiteriana de Campinas , Central, com a Igreja Presbiteriana de Jardim Guanabara e filha desta, Nova Jerusalém (1989) 
Vila Marieta, reorganização (1992) 
Jardim Paranapanema (1993) 
Jardim Garcia (1993)

Todas as igrejas de Campinas, mais as de Hortolândia, Itatiba e Valinhos, são filhas ou netas da IPCAMP. 
Em 1993 está se processando a transferência das responsabilidades pastorais para o Rev. Wilson Emerick de Souza, para cujo pastorado, já marcado por realizações positivas, rogamos a Deus as suas mais benfazejas bênçãos. 
 
 
 

PRIMEIRO ROL DE MEMBROS DA 
IGREJA PRESBITERIANA DE CAMPINAS

Há no arquivo da Igreja uma antiga caderneta (adquirida na "Casa Mascotte - Campinas"). Praticamente a mesma relação é registrada à mão três vezes. As duas primeiras foram canceladas com X. Na seqüência do livro há outras relações. A primeira relação, nas páginas 2 a 7, traz o título: "Rol dos membros em plena communha (sic) da Egreja Presb. de Campinas". Nela estão registrados os nomes, os endereços (a lápis) e a forma de recepção dos membros. Nas páginas 8 a 18, a segunda relação inclui as datas de recepção a partir do nº 14 (Sr. Sebastião Pinheiro...29.VII.1904"). O título, nas páginas 8 e 9 , diz: "1918 - Rol dos membros Professos da Egreja Presbyteriana - Campinas". Na pág. 19 temos estes dizeres, escritos à mão, com lápis azul, pelo Rev.Miguel Rizzo Jr. e por ele assinados: "1919 -Rol feito em janeiro de 1919 - (a) Miguel N. Rizzo Junior". Nesta terceira relação, certamente mais correta, o registro da data de recepção começa igualmente com o nº 14 (Sr. Sebastião Pinheiro). Infere-se que os nomes anteriores são das pessoas que permaneceram com a igreja mãe na cidade na cisão de 1903. São os seguintes: "l D.Eduarda Vogel, 2 D. Joaquina Augusta dos Santos, 3 D. Adelisa Ferraz Alves, 4 D. Adelina Guidi, 5 D. Adelaide de Souza Ferraz, 6 D. Francisca de Souza Pinheiro, 7 D. Maria Luiza de Jesus, 8 D. Silvana Fonseca Closel, 9 Sr. Alexander Sim, 10 D. Anna Sim, 11 D. Eugenia Sim, 12 D. Anna Sim Caldas, 13 D. Anna Maia Pinheiro".(Segundo outras fontes, somente os 8 primeiros nomes compunham o gupo de remanescentes do período anterior) 
 
 
 

MINISTROS QUE TÊM SERVIDO COMO PASTORES DA IPC 

l. Rev. Flamínio Rodrigues: 1903 - 1904 
2. Rev. Herculano Gouvêia: 1905-1908 (registro antigo : Gouvea) 
3. Rev. Zacarias de Miranda : 1909- 1912 
4. Rev. Henrique Vogel: 1912 - 1914 
5. Rev. Galdino Moreira: 1914 - 1915 
6. Rev. Erasmo Baga: 1916 
7. Rev. Miguel Rizzo Jr.: 1917 - 1925 
8. Rev. José Borges dos Santos Jr.: 1926 - 1941 
9. Rev. Benedito Alves (Pastor Auxiliar): 1934 - 1936 
10. Rev. Norivaldo Nicácio (Pastor Auxiliar): 1935 - 1941 
11. Rev. Teodomiro Emerick: 1942 
12. Rev. Ernesto Alves Filho: 1943 
13. Rev. Américo Justiniano Ribeiro: 1944- 1958 
14. Rev. Eliseu Narciso (Pastor Auxiliar): 1949 
15. Rev. Jorge Goulart (Pastor Substituto): 1950 - 1951 
16. Rev. Ademar de Oliveira Godoy (Pastor Auxiliar): 1956 - 1957 
17. Rev. Marcelino Pires de Carvalho: 1958 - 1959

18. Rev. Nathanael de Almeida Leitão: 1960 - 1964 
19. Rev. Osmundo Afonso Miranda: 1964 - 1965 
20. Rev. Odayr Olivetti: 1966 - 1967 
21. Rev. Carlos Aranha Neto: 1968 - 1990 
22. Rev. Júlio Andrade Ferreira: 1968 - 1974 
23. Rev. Hiroyto de Oliveira Azevedo (Pastor Auxiliar): 1978 -1980 
24. Rev. Osvaldo Abrahan Chamorro Vergara (Pastor Auxiliar): 1980 - 1981 
25. Rev. Geziel Antônio dos Santos (Pastor Auxiliar): 1982 - 1984 
26. Rev. José Marcos Más de Mello (Pastor Auxiliar): 1983- 1986 
27. Rev. Alex Costa de Oliveira (Pastor Auxiliar): 1986 - 1989 
28. Rev. João Wesley Lopes de Arruda (Pastor Auxiliar): 1986 -1992 
29. Rev. Jupiaci Carneiro Gomes (Pastor Auxiliar): 1987 - 1989 
30. Rev. João Batista Mota (Pastor Missionário - JMN): início em 1988 
31. Rev. Cilas Fiuza Gavioli (Pastor Auxiliar): 1990 -1991 
32. Rev. Márcio Coelho (Pastor Auxiliar): início em 1990 
33. Rev. Odayr Olivetti: início em 1991 
34. Rev. Wilson Emerick de Souza: 1992-1997 

33. Rev. Ivam Gomes Pereira (pastor auxiliar): 1994 – 1995;

35. Rev. Breno Martins Campos (pastor auxiliar): 1996 – 2001;

36. Rev. Helérson Silva (“pastor colaborador”): 1998;

39. Rev. Gilson Ferreira Quelhas: pastor auxiliar 2001-2004;

34. Rev. Ricardo Soares Mattos: pastor auxiliar 1994-1997, titular 1998-2003;

38. Rev. Adão Carlos Ferreira do Nascimento: pastor auxiliar 2001-2003, titular 2004-2007;

37. Rev. Jônatas Alves de Oliveira: pastor auxiliar 1999-2007, Titular: 2008-;

GENEALOGIA ECLESIÁSTICA 
Hebreus 11.30 - 40 (Mensagem pronunciada pelo Rev.Júlio A. Ferreira no templo da Igreja Presbiteriana de Campinas, no dia 2 de Agosto de 1992, como parte das comemorações do 89º aniversário da mesma igreja.)

  O mês de agosto é ocasião do aniversário da Igreja Presbiteriana do Brasil - IPB - que transcorre a 12 de agosto, com a chegada de Simonton. 
A igreja local de Campinas, coincidentemente, tem o seu próprio aniversário no dia 9 do mesmo mês. Aproveitando essa motivação, pensei em fazer uma "Genealogia Eclesiástica". 
Tenho uma prima, especialista em genealogia, membro do Instituto Geneaológico, que veio me dizer, com entusiasmo, que somos descendentes de reis de Portugal e de França. Mesmo que seja verdade, não vejo por que me gloriar disso, nem que proveito disso pudesse tirar. 
Mas, quando penso na corrente da fé, que a história da igreja constitui, busco, com empenho, descobrir as raízes que nos ligam ao passado. 
O autor de Hebreus fez isso, conforme se pode ver no capítulo 11, a chamada "galeria dos heróis da fé". Não apenas relembra o passado, mas apresenta o desafio do futuro, exortando a"correr com perseverança a carreira que nos está proposta". 
Vamos à História.

IGREJA CENTRAL

central


A Igreja Presbiteriana de Campinas, na sua forma jurídica atual, surgiu em 1903. Essa data assinala, na História da Igreja Presbiteriana do Brasil, a ocorrência de um Cisma e conseqüente formação da Igreja Presbiteriana Independente. Da Igreja de Campinas, então existentes, a maioria passou para a Independente, acompanhando o Rev. Bento Ferraz, que era professor no Ginásio do Estado e que, depois de afastado do pastorado, voltara a ele, nesta cidade, sem contudo regularizar sua situação perante o Presbitério de Minas. O pastor titular, desde 1894, era o Rev. Flamínio Rodrigues, que, por razões pessoais, na ocasião do Cisma estava numa fazenda em Descalvado. Retornando a Campinas, e sabendo da decisão da Assembléia Geral da Igreja, de aderir ao movimento independente, contestou a validade de tal assembléia, pois que o Rev. Bento Ferraz, não sendo o pastor titular, não tinha autoridade para fazer convocação alguma. 
Flamínio fez a contestação pela imprensa local, e ao mesmo tempo, convocou os que não fossem separatistas a que comparecessem no prédio do antigo Colégio Internacional, então desocupado. A primeira reunião se deu a 9 de agosto. Estava formada a Igreja Presbiteriana de Campinas, com sete membros. 
Houve pleito judicial pela posse do templo, da Rua Luzitana. 
O Rev. Flamínio Rodrigues continuou no pastorado até 1905, quando foi substituído pelo Rev. Herculano Gouvêa. Só mais tarde, no pastorado do Rev. Zacarias de Miranda, é que foi adquirido o terreno perto do Mercado, e, no pastorado do Rev. Miguel Rizzo, construído o templo naquele local.
Mas, nada disso teria sido possível, sem a Igreja da Rua Luzitana.

 

RUA LUZITANA

  As migrações, para o Brasil, de norte-americano sulistas, após a Guerra de Secessão, e a concentração deles na região de Santa Bàrbara, é que levaram os primeiros missionários presbiterianos a sediarem a Missão em Campinas, ponto estratégico pelo encontro de estradas de ferro. A viagem de inspeção do Rev. George Nash Morton se deu em 1868 e a vinda definitiva dele, ao lado do Rev. Eduardo Lane,em 1869. Estabeleceram o Colégio Internacional e fundaram a Igreja Presbiteriana, com as primeiras profissões de fé, nesse mesmo ano. O templo à rua Luzitana foi inaugurado em 1878. 
A aquisição de terreno para olaria e pasto de animais utilizados nas viagens de evangelização, é que possibilitou ao Rev. Eduardo Lane, filho, fazer a doação da sede atual do Seminário. 
Mas, quem era Eduardo Lane?

 

 

SEMINÁRIO DE RICHMOND

A igreja situada à Rua Luzitana, em Campinas, fora fundada por Eduardo Lane, que sentira a vocação missionária, quando ainda estudante no Seminário de Richmond, Virginia. 
Diz Erasmo Braga, historiando a vida desse obreiro: 
"Até o início da guerra civil, as associações missionárias nos Estados Unidos tinham suas missões em comum". E acrescenta que o estado bélico levou à existência de duas igrejas e duas missões. 
Sabemos que a do Norte, com sede em Nova York, enviou Simonton, em 1859, antes da guerra; a do Sul, com sede em Nashville, enviou Lane, em 1869, depois da guerra. 
Foi o grande teólogo Dabney quem sugeriu essa abertura missionária, desafiados como estavam pelo empreendimento de Simonton. 
Este fundara, no rio, a primeira igreja brasileira, que, de certo modo, pode ser considerada mãe de todas as demais.

TRAVESSIA DA BARREIRA

Ashbel Green Simonton chegou ao Brasil a 12 de agosto de 1859. Aplicou-se ao aprendizado da língua e só em maio de 1861 alugou prédio à Rua Nova do Ouvidor, 31. No dia 19, às 3 horas da tarde, fez o primeiro culto, com duas pessoas presentes. Só em janeiro seguinte, no dia 12, recebeu pessoas por profissão de fé - Henry E. Milford e Cardoso Camilo de Jesus. O primeiro era norte-americano, agente da Singer, e o segundo, português, que viera para o Brasil como foguista a bordo de um vapor. Mudou o nome para Camilo José Cardoso. 
Após algumas casas alugadas, a Igreja do Rio de Janeiro teve sua sede definitiva à Travessa da Barreira, depois Rua Silva Jardim, onde está hoje a Catedral Presbiteriana. 
Qual, no entanto, foi a igreja da qual Simonton saiu?

IGREJA DE HARRISBURG

Harrisburg é a capital do Estado de Pensilvânia. No coração dessa cidade está a Igreja Presbiteriana de Pine Street, e é, ainda hoje, uma igreja florescente, embora do centro da cidade, conforme recente reportagem do Rev. Gerson A. Meyer. 
A Igreja fora organizada em 1858 e, no ano seguinte, consagrou seu primeiro missionário, Simonton, que foi o primeiro a vir para o Brasil. Dessa igreja era uma senhora piedosa, a mãe dele. 
Simonton foi disputado por igrejas na sua pátria, mas sentiu-se chamado para o Brasil, e recebeu as bênçãos de sua mãe. Ela e o outro filho, João, acompanharam-no até Baltimore, onde tomou o navio mercante, Banshee. Os três na cabine em que viajaria, oraram juntos. 
O presbiterianismo nos Estados Unidos emanara de escoceses, onde o governo eclesiástico era de presbíteros. Toda a inpiração desse tipo de organização eclesiástica se deve a John Knox.

IGREJA ESCOCESA

A situação política da Escócia era instável, ora pendendo para a França, católica; ora, para a Inglaterra, protestante. Maria Stuart, rainha que fora educada na França, influenciada pelo partido católico, perseguia os protestantes e seu líder, João Knox. Os sermões deste, pregados na catedral de Sto. André, em Edinburg, faziam, a rainha tremer no palácio. Ele a chamava de "nova Jezabel'. 
Apesar das dificuldades, Knox encontrou apoio dos crentes, e organizou a Igreja Presbiteriana, devido à eleição de anciãos (presbíteros), conforme o modelo bíblico. O Livro de Disciplina é o fundamento de todas as constituições de entidades presbiterianas, até hoje. 
Knox teve paralisia, que o afastou da vida pública, mas deixara sua preciosa herança 
Knox era um discípulo de Calvino.

GENEBRA

Se Simonton precede toda a vida presbiteriana brasileira e Knox, o presbiterianismo em geral, João Calvino, com seus escritos, foi o mentor do protestantismo. Lutero teve a coragem demolidora para contestar o romanismo, com seus abusos e deformações; Calvino foi o pensador sereno que, em face da Igreja Medieval ameaçada, teve a capacidade de construir a Igreja Reformada. 
Embora francês de origem, viveu a maior parte do tempo em Genebra, como pastor da Igreja de S. Pedro. Morava em casa modesta, na Rua do Canhão, estreita e curta. Do quintal de sua casa se avistava o Lago Lemano. 
Se na sua obra escrita, sobretudo as chamadas Institutas, tem sido o mestre do mundo cristão, como pastor local alcançou a paróquia modelo, lutando por estender a influência da igreja sobre a cidade, num combate sem trégua contra os "Bêbados, ladrões, briguentos, adúlteros e outros contraventores". 
Sua inspiração veio, toda ela, da Igreja dos tempos apostólicos, a fonte final de todas as nossas igrejas. 
A história destas conhecemos pelo Novo Testamento.

IGREJA NO NOVO TESTAMENTO

Calvino não foi buscar, para sua Igreja Reformada, nenhuma tradição dos tempos romanos ou medievais; buscou antes, o modelo bíblico. Encontrou-a na profecia de Jesus, de uma instituição sobre a qual "as portas do inferno não prevaleceriam"(Mat. 16, Mat. 18). "Enviarei o Espírito, e ele vos ensinará em toda a verdade"(João 14 e seg.). 
Encontrou-a na história descrita em Atos dos Apóstolos, tanto nas viagens de Paulo, como na expansão até Antioquia e na comunidade primitiva, em Jerusalém. Encontrou-a nas epístolas Gerais, e, sobretudo, nas Paulinas. Sim, buscou a igreja "sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas" cuja pedra fundamental é Cristo"(Ef 3, 1 Pedro 2). 
"Recebereis o Espírito Santo, que há de vir sobre vós, e sereis minhas testemunhas até os confins da terra" (At 1.8).

Por isso a igreja chegou à cidade de Campinas.